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projeto com parede de concreto

Como projetos com parede de concreto podem contribuir com metas ESG

A incorporação de critérios ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser uma tendência e passou a ser um requisito estratégico para empresas do setor da construção civil.

Nesse contexto, projetos com parede de concreto ganham protagonismo ao oferecer ganhos mensuráveis em eficiência ambiental, controle de processos e responsabilidade socioeconômica.

A industrialização da obra, especialmente por meio de sistemas construtivos racionalizados, impacta diretamente indicadores ligados à redução de resíduos, eficiência no uso de recursos, segurança do trabalho e governança operacional — pilares centrais das metas ESG.

Este artigo analisa, sob uma ótica técnica, como o método construtivo parede de concreto contribui de forma concreta para o atendimento dessas metas, sobretudo no cenário brasileiro.

ESG na construção civil: por que o método construtivo importa?

As metas ESG exigem que empresas demonstrem, de forma objetiva, como reduzem impactos ambientais, promovem boas práticas sociais e mantêm processos transparentes e controláveis.

Na construção civil, grande parte desses impactos está diretamente associada ao método construtivo adotado. Processos artesanais, pouco padronizados e com alto grau de improviso tendem a gerar:

  • maiores volumes de resíduos;

  • consumo excessivo de materiais;

  • retrabalhos frequentes;

  • riscos operacionais e ambientais;

  • baixa rastreabilidade de dados.

Por outro lado, projetos com parede de concreto, quando bem planejados e executados dentro de uma lógica industrializada, permitem maior controle sobre todas essas variáveis.

Redução de resíduos no canteiro de obras: um eixo central do pilar ambiental (E)

 

metas ESG na construção civil

A construção civil ainda figura entre os setores que mais geram resíduos sólidos no Brasil. Estimativas apontam que o setor é responsável por 50% a 70% de todos os resíduos urbanos, reflexo de práticas construtivas pouco eficientes e da baixa industrialização.

Nos sistemas convencionais, desperdícios são gerados por:

  • erros de compatibilização de projetos;

  • cortes improvisados de materiais;

  • uso intensivo de fôrmas descartáveis;

  • retrabalhos decorrentes de baixa precisão dimensional;

  • excesso de etapas manuais.

Em contraste, projetos com parede de concreto operam com lógica inversa: planejamento detalhado, repetição controlada e padronização de processos.

O papel da industrialização na redução de desperdícios

A industrialização da construção transfere para a fase de projeto e planejamento decisões que, em métodos tradicionais, são tomadas no canteiro. Isso inclui:

  • modulação estrutural;

  • definição prévia de dimensões e tolerâncias;

  • racionalização do uso de materiais;

  • controle rigoroso das etapas produtivas.

Assim como ocorre em setores industriais de alta performance, a repetição padronizada reduz variações, elimina improvisos e minimiza perdas.

Nos projetos com parede de concreto, essa abordagem resulta em:

  • menor geração de resíduos por metro quadrado construído;

  • redução significativa do uso de materiais intermediários;

  • menos transporte interno e externo de entulho;

  • maior previsibilidade de consumo.

Como a padronização impacta diretamente as metas ESG

A padronização é um dos principais vetores de eficiência ambiental e governança. Em projetos com parede de concreto, ela se manifesta em diferentes níveis:

Benefícios operacionais da padronização

  • redução de retrabalhos;

  • maior controle de qualidade;

  • menor variabilidade na execução;

  • facilidade de treinamento das equipes;

  • previsibilidade de prazos e custos.

Do ponto de vista ESG, isso se traduz em processos mais transparentes, rastreáveis e auditáveis, alinhados às exigências de investidores, órgãos reguladores e programas habitacionais.

O método parede de concreto gera menos resíduos?

Estudos de campo em empreendimentos habitacionais e análises comparativas com sistemas convencionais indicam que o método parede de concreto pode gerar entre 70% e 80% menos resíduos sólidos.

Isso ocorre porque o sistema:

  • elimina a alvenaria tradicional;

  • dispensa camadas de reboco;

  • reduz drasticamente cortes de materiais;

  • utiliza fôrmas metálicas reutilizáveis e duráveis;

  • garante alta precisão dimensional;

  • permite concretagem única por painel.

O resultado são paredes prontas para acabamento final, com menor consumo de insumos e menor volume de descarte.

Materiais mais impactados pela industrialização

A adoção de projetos com parede de concreto impacta positivamente diversos materiais críticos do canteiro:

  • Madeira: redução de até 95%, devido à eliminação de fôrmas descartáveis.

  • Argamassa: redução de até 80%, com a eliminação do reboco.

  • Aço: menor perda graças a cortes padronizados e planejamento prévio.

  • Concreto: dosagem precisa e controle de volume reduzem desperdícios.

  • Materiais de revestimento: uso reduzido devido à qualidade superficial das paredes.

Esses ganhos refletem diretamente no pilar ambiental das metas ESG, ao diminuir extração de recursos naturais, transporte e destinação de resíduos.

Indicadores ambientais e governança: como medir os resultados?

A contribuição dos projetos com parede de concreto para as metas ESG pode ser mensurada por meio de indicadores objetivos, como:

  • volume de resíduos gerados por m² construído;

  • número de viagens de transporte de entulho;

  • consumo de materiais por unidade entregue;

  • taxa de retrabalho;

  • produtividade por equipe ou turno;

  • emissões associadas à logística de descarte.

Comparativos entre obras industrializadas e convencionais apontam reduções médias de até 30% nas emissões indiretas de CO₂, especialmente pela diminuição do transporte de resíduos e do uso excessivo de materiais.

Contribuições para o pilar social (S)

canteiro com obra parede de concreto

Além dos ganhos ambientais, projetos com parede de concreto também impactam positivamente o pilar social das metas ESG:

  • canteiros mais organizados e seguros;

  • menor exposição da mão de obra a atividades insalubres;

  • redução de esforço físico repetitivo;

  • treinamentos mais objetivos e padronizados;

  • menor rotatividade operacional.

Ambientes de trabalho mais previsíveis e seguros reduzem acidentes e melhoram a qualidade das relações de trabalho.

Conformidade normativa e exigências legais no Brasil

A legislação brasileira impõe obrigações rigorosas quanto à gestão de resíduos da construção civil, incluindo:

  • Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS);

  • Resolução CONAMA nº 307;

  • exigências municipais de destinação correta;

  • elaboração e controle do PGRCC.

Projetos com parede de concreto facilitam o atendimento a essas exigências, pois geram menor volume de resíduos e tornam o controle mais simples e rastreável.

Industrialização e programas habitacionais

Programas habitacionais de grande escala exigem:

  • alta produtividade;

  • controle rigoroso de custos;

  • cumprimento de prazos;

  • conformidade ambiental.

Nesse cenário, a adoção de projetos com parede de concreto permite escalar a produção habitacional sem comprometer indicadores ambientais e sociais, alinhando eficiência econômica às metas ESG.

Padronização como estratégia ESG de longo prazo

A redução de impactos ambientais na construção civil não depende apenas de boas intenções, mas de método, processo e tecnologia.

Projetos com parede de concreto demonstram que a industrialização da obra é uma das formas mais eficazes de alinhar produtividade, sustentabilidade e governança.

Quanto menor o improviso e maior o controle do processo construtivo, maiores são os ganhos em eficiência ambiental, previsibilidade financeira e conformidade regulatória — pilares fundamentais para o avanço das metas ESG no setor da construção.

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